Moradores do Grajaú protestam contra corte de árvores e construção de condomínio no antigo Clube da Light

Manifestação marcada por indignação ambiental e defesa do patrimônio do bairro
Neste sábado, 24 de janeiro, moradores do Grajaú e simpatizantes da causa ambiental vão às ruas para protestar contra o corte de 55 árvores no terreno onde funcionava o tradicional Clube da Light, na Rua Barão do Bom Retiro, número 2002. A mobilização, organizada pela Associação de Moradores e Amigos do Grajaú (AMAGRAJA), está marcada para as 9h, com ponto de encontro na Praça Malvino Reis (Rua Professor Valadares, 2). O protesto segue até o estandede vendas do empreendimento imobiliário que está sendo erguido no local.
Área antes protegida por tombamento foi liberada para construção
O terreno que por décadas abrigou a Associação Atlética Light chegou a ser tombada provisoriamente por decreto do prefeito Eduardo Paes, como forma de preservar o espaço histórico e ambiental. No entanto, esse tombamento foi revogado posteriormente, o que abriu caminho para a construção de um megacondomínio da construtora Cyrela/Living, com 380 apartamentos distribuídos em quatro blocos residenciais.

Ação é classificada como “ecocídio” por moradores
Indignados com a derrubada das árvores, manifestantes chamam a intervenção de “ecocídio”, termo que denuncia ações agressivas contra o meio ambiente. Durante o protesto, a população pretende denunciar o que consideram ser mais um caso de omissão do poder público em proteger áreas verdes da cidade. Um abaixo-assinado online, disponível neste link: https://c.org/mtPD4VVbG5 , já reúne quase 700 assinaturas e continua sendo divulgado nas redes sociais e entre os moradores.
“A Prefeitura tem permitido desmatamentos em nome do lucro”, diz representante da AMAGRAJA
De acordo com Gustavo Bueno, Diretor de Comunicação da AMAGRAJA, esse tipo de situação já ocorreu em outras áreas da cidade, como no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, também alvo de cortes de árvores para construção de imóveis.
“Infelizmente, tem sido recorrente a autorização da Prefeitura para este tipo de empreendimento imobiliário, sem levar em conta o corte de dezenas de árvores. No caso do Grajaú, o Prefeito chegou a tombar o local, mas voltou atrás, o que consideramos uma atitude no mínimo estranha. O Clube da Light perdeu sua proteção e dará lugar a este megacondomínio”, afirma Gustavo.
Projeto aprovado apesar de preocupações urbanas e ambientais
O novo condomínio residencial da Cyrela/Living já está em fase de comercialização, com imóveis de dois e três quartos. A remoção das árvores foi autorizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, por meio de licença concedida à incorporadora CBR124, em dezembro de 2025. Como medida compensatória, a empresa se comprometeu a plantar 1.960 novas árvores no prazo de 90 dias.
Apesar da promessa, moradores não se sentem convencidos.
“Nada justifica retirar árvores adultas e saudáveis para plantar mudas que nem sabemos se vingarão. Além disso, muitas das árvores estavam na divisa do terreno, poderiam tranquilamente ser incorporadas ao projeto”, critica Gustavo Bueno.

Impacto no esgoto e no trânsito preocupa a comunidade
Além do desmatamento, os moradores do Grajaú estão alarmados com os possíveis efeitos colaterais do novo empreendimento. A rede de esgoto local é antiga — construída na década de 1930 — e pode não ter capacidade para atender a demanda gerada por centenas de novos moradores. O tráfego também é um ponto sensível, já que a área fica próxima à Estrada Grajaú-Jacarepaguá e ao Grande Méier, com ruas já sobrecarregadas, como a Barão do Bom Retiro e José do Patrocínio.
Revogação de tombamento abriu caminho para projeto avançar
A negociação para venda do terreno foi autorizada em 2024 pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), mas só foi possível efetivar a construção após a revogação oficial do tombamento assinada pelo prefeito Eduardo Paes, em outubro de 2025.
O tombamento original, publicado em 2016, reconhecia o clube como bem de interesse histórico-cultural, por sua contribuição ao esporte, ao lazer e à convivência social no bairro. Sem a proteção legal, o terreno ficou vulnerável à especulação imobiliária.
Clube da Light: um símbolo do lazer e da história da Zona Norte
Fundado em 30 de maio de 1933, por funcionários da antiga Companhia de Carris, Força e Luz do Rio de Janeiro Ltda., o clube era inicialmente chamado de Light Rua Larga Sport Club. Dois anos depois, adotou o nome definitivo de Light Athletico Club e teve sua primeira sede na Rua Mariz e Barros, na Tijuca.
Mais tarde, transferiu-se para o Grajaú, onde se consolidou como um importante centro de convivência, prática esportiva e lazer, especialmente para os moradores da Zona Norte. A perda deste espaço é vista como mais do que simbólica — representa o enfraquecimento de políticas públicas de valorização da memória urbana e ambiental.
Mobilização segue crescendo nas redes e nas ruas
Com a manifestação programada e o abaixo-assinado circulando, a mobilização contra o corte de árvores e o avanço descontrolado de empreendimentos imobiliários no Rio de Janeiro ganha novos apoiadores a cada dia. Moradores do Grajaú têm compartilhado imagens de antes e depois do terreno para mostrar o impacto já visível da devastação no espaço que antes era verde, com árvores frondosas e áreas de sombra.
A luta não é apenas por um clube ou por algumas árvores — é pela preservação do bairro, do meio ambiente e da qualidade de vida dos moradores. A causa também levanta o debate sobre como as cidades estão sendo ocupadas, e até que ponto o crescimento urbano deve prevalecer sobre a memória e a sustentabilidade.
Luta no Grajaú simboliza o confronto entre progresso e preservação
O protesto marcado para o dia 24 de janeiro no Grajaú é mais do que uma resistência pontual. Ele representa uma disputa de valores entre o desenvolvimento urbano e a preservação ambiental e patrimonial. Para os moradores, o antigo Clube da Light é um símbolo de pertencimento, história e convívio — agora ameaçado pela lógica do mercado imobiliário.
A retirada de árvores maduras e saudáveis, em uma cidade que sofre com ilhas de calor e alagamentos, desperta questionamentos sobre as reais prioridades na gestão urbana. A promessa de novas árvores plantadas em troca da destruição das existentes não convence, e o debate sobre qual cidade queremos continua a ganhar força.
FAQ
1. Onde será o protesto contra o corte das árvores no Grajaú?
A manifestação ocorrerá neste sábado, dia 24 de janeiro, a partir das 9h, na Praça Malvino Reis, na Rua Professor Valadares, número 2.
2. Qual o número de árvores autorizadas para corte no terreno do antigo Clube da Light?
Foram autorizadas 55 remoções, com compromisso da construtora de plantar 1.960 novas árvores como compensação.
3. Quem está por trás da construção no local?
O novo empreendimento é da construtora Cyrela/Living, com previsão de construção de 380 apartamentos.
4. Qual a principal crítica dos moradores em relação ao projeto?
Além do corte de árvores, há preocupações com esgoto antigo, trânsito intenso, perda patrimonial e falta de transparência na revogação do tombamento.
5. Como posso apoiar a causa?
Você pode assinar o abaixo-assinado disponível online clicando aqui e divulgar nas redes sociais para ampliar a conscientização sobre o caso.


