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Livro investiga desafios e estratégias de jovens brasileiros frente à desigualdade

Uma nova publicação sobre juventude brasileira foi lançada nesta terça-feira (31), em evento realizado no Museu de Arte do Rio, reunindo pesquisadores, gestores públicos e jovens de diferentes regiões do país. O livro “Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades” resulta de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Juventude do Rio de Janeiro (JUVRio), a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

A obra apresenta uma pesquisa inédita conduzida em três estados — Rio de Janeiro, São Paulo e Piauí —, que busca compreender os desafios enfrentados por jovens em meio a cenários marcados por desigualdades sociais, acirradas durante a pandemia de Covid-19. O lançamento contou com a presença de 50 jovens participantes de iniciativas como os Espaços da Juventude de Campo Grande, Jacarezinho e Madureira.

No decorrer do trabalho de campo, especialistas realizaram 22 grupos focais com jovens de diferentes perfis, ligados a coletivos, movimentos sociais e organizações, tanto em áreas urbanas quanto rurais. O estudo reúne análises sobre temas essenciais como acesso à educação, mercado de trabalho, enfrentamento à violência, vivências nos territórios e perspectivas de futuro. As vozes dos próprios jovens ganham destaque, revelando tanto as adversidades quanto as formas de resistência, adaptação e reinvenção diante das dificuldades.

A secretária municipal de Juventude do Rio, Gabriella Rodrigues, ressaltou a importância de ouvir diretamente os jovens na formulação de políticas públicas. “Trabalhamos com a certeza de que a escuta ativa é fundamental para políticas mais eficazes. A pesquisa mostra que, apesar dos desafios, a juventude constrói soluções próprias e aponta caminhos inovadores”, afirmou.

O levantamento também identificou os efeitos da pandemia sobre a vida dos jovens, evidenciando o agravamento das desigualdades em diferentes áreas, como educação, saúde, trabalho, moradia e segurança. Segundo relatos, a reestruturação da rotina escolar e profissional foi acompanhada pela busca de novas estratégias de sobrevivência e organização coletiva.

Rita Potyguara, diretora da Flacso Brasil, destacou o caráter colaborativo da obra, construída a partir do diálogo entre jovens e pesquisadores. Ela frisou que o livro reflete a busca por entender como as novas gerações brasileiras vêm enfrentando transformações profundas no período pós-pandemia, especialmente em relação ao mercado de trabalho e às dinâmicas territoriais.

A pesquisa, que utiliza metodologia qualitativa e recortes de gênero, raça, classe e território, revela ainda que apenas 26% dos jovens entrevistados possuem alguma atividade remunerada, sendo que a maioria está inserida na informalidade. O estudo aponta para a necessidade de políticas públicas integradas, capazes de reconhecer a juventude como protagonista do desenvolvimento social e econômico do país.

Rodrigo Rossi, diretor da OEI no Brasil, reforçou que os resultados evidenciam a urgência de ampliar esforços para garantir inclusão, participação social e oportunidades para os jovens. “Apesar das desigualdades históricas, vemos uma juventude criativa, resiliente e disposta a transformar suas realidades”, avaliou.

O livro está organizado em cinco grandes eixos — Trabalho, Educação, Violências, Territorialidade e Tempo —, combinando análises acadêmicas e relatos pessoais. O objetivo é subsidiar o debate público e a construção de políticas mais sensíveis às múltiplas realidades juvenis do Brasil. A publicação pode ser acessada por meio do perfil oficial da Secretaria Municipal de Juventude do Rio de Janeiro no Instagram: www.instagram.com/juvrio.

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