Fracasso de superprodução com Tom Cruise encerra universo cinematográfico de US$ 345 milhões
Nos últimos anos, o cinema mundial foi marcado pela ascensão de universos compartilhados, levando grandes estúdios a investirem pesado na criação de narrativas interligadas. Enquanto franquias como Marvel, DC e Star Wars consolidavam seu domínio, outros exemplos de sucesso, como o universo de Invocação do Mal, também ganharam destaque. Inspirada pelo desempenho dessas sagas no mercado, a Universal Pictures enxergou uma chance de revitalizar suas icônicas criaturas do terror, lançando o projeto Dark Universe, que prometia reunir clássicos monstros em uma mesma linha narrativa.
No entanto, a ambiciosa iniciativa foi interrompida logo após seu início. O ponto de ruptura foi o lançamento de A Múmia, em 2017, estrelado por Tom Cruise. O longa, que deveria ser o pontapé inicial para a franquia, não atingiu as expectativas financeiras do estúdio, resultando em prejuízos e no cancelamento dos projetos futuros. O investimento total em A Múmia foi de aproximadamente US$ 345 milhões, somando custos de produção e uma robusta campanha de marketing, mas a arrecadação de US$ 409 milhões nas bilheteiras globais foi insuficiente para cobrir todos os gastos, culminando em um rombo estimado de US$ 100 milhões para a Universal.
A estratégia para o Dark Universe envolvia escalar grandes nomes de Hollywood. Uma foto promocional chegou a ser divulgada, reunindo Tom Cruise, Russell Crowe (no papel de Dr. Jekyll e Mr. Hyde), Sofia Boutella (a vilã Ahmanet), Javier Bardem (confirmado como o Monstro de Frankenstein) e Johnny Depp (escolhido para viver o Homem Invisível). O estúdio ainda planejava produções como A Noiva de Frankenstein, sob direção de Bill Condon e com Angelina Jolie cotada para o papel principal, além de um filme dedicado ao caçador Van Helsing, com roteiro em desenvolvimento e o nome de Channing Tatum circulando nos bastidores.
O fracasso de crítica e público de A Múmia, que recebeu apenas 15% de aprovação no Rotten Tomatoes entre especialistas e 35% do público geral, foi decisivo para o fim da empreitada. Em novembro de 2017, poucos meses após a estreia do filme, os principais responsáveis criativos pelo Dark Universe, Alex Kurtzman e Chris Morgan, anunciaram sua saída do projeto. Sem liderança e com prejuízo acumulado, a Universal decidiu arquivar a franquia, paralisando a produção de novos filmes e desmontando o escritório temático dedicado ao universo de monstros.
Após a decepção, o estúdio optou por permitir que cineastas independentes reinterpretassem seus personagens em produções autônomas. Essa abordagem rendeu frutos, como a parceria com a Blumhouse Productions, que resultou em O Homem Invisível (2020), dirigido por Leigh Whannell, sucesso de crítica e público.
Para quem deseja conferir o filme que deu início a toda essa reviravolta, A Múmia está disponível no catálogo do Prime Video Brasil até o final de junho.
