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Parceria viabiliza restauração dos vitrais históricos da Candelária, anuncia Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), firmou um acordo inédito com a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária para a restauração dos vitrais históricos da Igreja da Candelária, no Centro da cidade. A iniciativa, que conta com o apoio do Consulado Geral da Alemanha, será viabilizada por meio de um investimento de R$ 1,6 milhão (aproximadamente 273 mil euros) oriundo da Fundação Gerda Henkel, via programa internacional Funding Initiative Patrimonies.

O projeto, batizado de “Vitrais da Igreja da Candelária: restauração de um patrimônio em risco”, foi oficialmente lançado na manhã da última terça-feira (17/03), dando início a um cronograma de 12 meses dedicado à preservação do patrimônio artístico e histórico carioca. Além da restauração dos vitrais, a proposta inclui ações de capacitação profissional e educação ambiental, ampliando o impacto social e cultural da iniciativa.

Essa ação dá continuidade ao trabalho iniciado há seis anos, quando a mesma fundação alemã destinou recursos para a recuperação emergencial de um dos vitrais do Theatro Municipal do Rio. Naquele momento, profissionais brasileiros e alemães participaram de intercâmbios e treinamentos, elevando o nível técnico das equipes envolvidas em projetos de conservação e restauro de vitrais.

Durante o evento de lançamento, o provedor da Irmandade, Antônio Soares da Silva, ressaltou a relevância do trabalho de preservação desenvolvido ao longo dos anos. “A cada etapa de restauração, descobrimos novas camadas da história da igreja. O restauro dos vitrais representa mais um avanço fundamental nesse processo”, afirmou.

Os vitrais da Igreja da Candelária, concebidos por João Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli e executados pela empresa alemã F. X. Zettler em 1898, são considerados peças-chave da decoração monumental do templo. Destacam-se especialmente os três vitrais do coro, que compõem a obra “Invocação de Santa Cecília”, reconhecida por seu alto valor artístico e simbólico.

Segundo Helder Magalhães Viana, gerente de Arqueologia do IRPH, os vitrais vêm sofrendo deterioração progressiva ao longo das últimas décadas, seja por atos de vandalismo ou pela exposição a condições ambientais adversas, agravadas pelo tráfego intenso nas imediações. “Durante anos, esse patrimônio esteve ameaçado por falta de ações efetivas de conservação, tornando urgente uma intervenção qualificada”, explicou.

A restauração prevê a instalação de vidraças protetoras com ventilação isotérmica e telas metálicas, seguindo padrões adotados em diversos países europeus para monumentos históricos. Entre as etapas técnicas estão a limpeza especializada, consolidação de pinturas fragilizadas, correção de fissuras, recomposição de partes ausentes nos vidros e recuperação das estruturas de chumbo.

O projeto também contempla a realização de um seminário internacional em agosto, uma exposição aberta ao público e a publicação de um livro-documentário detalhando todo o processo de restauração e o intercâmbio técnico entre Brasil e Alemanha. Paralelamente, está prevista a formação de gestores e fiscais atuantes na área de conservação do patrimônio cultural, fortalecendo a qualificação do setor. Alunos do Educandário Gonçalves de Araújo, mantido pela Irmandade, participarão em abril de uma oficina de educação patrimonial com foco na produção de vitrais.

Erguida no local de uma antiga capela do século XVII, a Igreja de Nossa Senhora da Candelária foi tombada em 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A construção do atual templo, em estilo barroco, teve início em 1775 e só foi concluída em 1898, tornando-se um dos mais importantes marcos arquitetônicos e religiosos do Rio de Janeiro.

A Fundação Gerda Henkel, responsável pelo financiamento do projeto, é uma instituição alemã criada em 1976, com sede em Düsseldorf, que atua internacionalmente em ações de pesquisa, preservação e documentação científica de bens históricos. A entidade apoia não apenas a restauração material de obras de arte e monumentos, como também incentiva a formação de jovens profissionais, contribuindo para a perpetuação do conhecimento e da memória histórica em escala global.

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