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Rio inicia licitação para novos lotes de linhas de ônibus na Zona Oeste

Com a realização da primeira fase da licitação do Sistema RIO – Rede Integrada de Ônibus –, a Prefeitura do Rio de Janeiro avança na reestruturação do transporte coletivo municipal. O processo definiu, nesta sexta-feira (6), as vencedoras para operar os dois primeiros lotes do novo modelo de concessão, que atenderão os bairros de Campo Grande e Santa Cruz, ambos na Zona Oeste da cidade.

A principal novidade é o aumento significativo da frota: de 104 para 366 ônibus em operação nessas regiões, o que representa um reforço de 262 veículos ao sistema. O objetivo é melhorar a oferta e a qualidade do serviço para os moradores locais.

A empresa Comporte Participações S.A. saiu vencedora da concorrência ao apresentar as menores tarifas por quilômetro rodado: R$ 9,94 para Santa Cruz e R$ 11,53 para Campo Grande. O critério de seleção foi justamente o menor valor ofertado. Após a divulgação dos resultados, a licitação foi suspensa temporariamente para análise da documentação das empresas.

Esse novo modelo de concessão marca uma mudança histórica, pois traz maior controle público sobre a operação e mecanismos para garantir que a população não seja prejudicada por falhas das concessionárias. O edital, elaborado após consulta pública com mais de 700 sugestões da sociedade, prevê contratos de até 10 anos, renováveis por igual período. As empresas serão responsáveis pela compra e manutenção dos veículos, gerenciamento de garagens públicas e implementação de sistemas inteligentes que permitirão o acompanhamento em tempo real da operação.

A modernização também inclui a construção de novas garagens, como uma unidade completa na Estrada do Campinho, em Campo Grande, com áreas para manutenção, abastecimento e administração. Além disso, haverá mudanças importantes nos veículos: a nova frota, prevista para entrar em circulação a partir de setembro, será composta por ônibus zero quilômetro, todos equipados com ar-condicionado, piso baixo, rampas de acessibilidade, três portas e tecnologia ambiental Euro VI, que reduz a emissão de poluentes. O pagamento em dinheiro será extinto, dando lugar exclusivamente ao sistema eletrônico de bilhetagem.

O modelo de remuneração das empresas passa a ser calculado por quilômetro rodado, com subsídio público e avaliação trimestral de desempenho por meio do Índice de Qualidade do Transporte (IQT). Esse índice leva em conta fatores como frequência das viagens, satisfação dos usuários, idade média dos ônibus, climatização da frota e cumprimento de obrigações contratuais. Empresas com pontuação abaixo de 0,8 podem perder a exclusividade das linhas, que poderão ser repassadas a outros operadores ou assumidas diretamente pelo município.

As próximas fases da licitação contemplarão outras regiões do Rio, priorizando áreas com maior necessidade de melhoria no transporte. O novo sistema dividirá a cidade em 34 lotes – 22 estruturais e 12 locais – e prevê a implantação gradual até 2028, incluindo bairros da Zona Norte, Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Zona Sul e demais áreas urbanas.

A reformulação do sistema de ônibus é resultado de um acordo judicial entre a Prefeitura, o Ministério Público estadual e os consórcios que atualmente operam o serviço. O projeto prevê a transição progressiva entre operadores e o fim da exclusividade das empresas que hoje detêm as linhas, visando ampliar a concorrência e elevar o padrão do transporte público na capital fluminense.

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