Gastronomia

Maison Telmont rompe tradições e revoluciona produção de Champagne na França

Com vista privilegiada para o mar do Leblon, o Janeiro Hotel foi palco de um encontro onde o glamour habitual dos grandes champagnes deu lugar a uma conversa sobre sustentabilidade e futuro. Hugo Bettarel, responsável pela Telmont no Brasil, surpreendeu ao adotar um discurso voltado não apenas para negócios, mas principalmente para a preservação ambiental — uma abordagem que tem conquistado tanto apreciadores quanto investidores de peso, como o ator Leonardo DiCaprio.

Durante o almoço promovido pela tradicional casa francesa no Rio de Janeiro, a transparência foi a tônica. Enquanto espumantes eram servidos, a discussão girava em torno das práticas ecológicas adotadas pela maison, fundada em 1912 e atualmente sob o guarda-chuva do grupo Rémy Cointreau. A Telmont tem se destacado no competitivo mercado de Champagne ao adotar uma postura ousada diante das tradições da região, priorizando a saúde do solo e a redução do impacto ambiental acima de embalagens luxuosas e estratégias de marketing convencionais.

Entre as iniciativas inovadoras, merece destaque o desenvolvimento de uma garrafa mais leve, com apenas 800 gramas — cerca de 100 gramas a menos que o padrão do setor. “Utilizamos 87% de vidro reciclado em cada garrafa e abolimos o transporte aéreo, optando exclusivamente pelo envio marítimo para diminuir nossas emissões”, detalhou Bettarel. A marca também decidiu eliminar as tradicionais caixas de presente, medida que sozinha foi responsável por uma redução de 8% na pegada de carbono de cada produto. “A melhor embalagem é não ter embalagem”, resumiu o executivo.

No copo, o compromisso com a produção orgânica se traduz em vinhos vibrantes e de grande personalidade. Atualmente, 72% dos vinhedos já seguem práticas orgânicas, com o objetivo de atingir a totalidade até 2031. Essas escolhas têm sido reconhecidas pelo mercado internacional, que elogia a mineralidade e a tensão dos rótulos, distantes dos champagnes adocicados e previsíveis.

O diretor técnico Ludovic compartilhou ainda detalhes do desafio de manter a certificação orgânica em uma região cercada por propriedades que utilizam insumos químicos. Como solução, a Telmont sacrifica fileiras inteiras de videiras nas extremidades de seus vinhedos, criando uma espécie de barreira natural para proteger as uvas destinadas ao champagne.

As decisões da Telmont apontam para um novo modelo de excelência: um vinho que, além de brindar paladares exigentes, convida o consumidor a repensar escolhas e celebrar de forma mais consciente.

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