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Espaço Travessia completa 10 anos promovendo integração entre arte, cultura e saúde no Instituto Nise da Silveira

Em clima de celebração e resistência, o Espaço Travessia completou uma década de atividades, marcando sua importância como polo de cultura e inclusão na Zona Norte do Rio de Janeiro. Localizado nas dependências do Instituto Municipal Nise da Silveira, o espaço foi palco, na última quinta-feira (21), de uma programação especial intitulada “Um Dia de Poesia, 10 Anos de Travessia”, parte integrante do Festival Nós na Luta: Por uma Sociedade sem Manicômios.

Durante todo o dia, o ambiente ficou tomado por oficinas criativas, exposições, apresentações artísticas e rodas de conversa, evidenciando o papel fundamental da arte e da cultura na promoção da saúde mental e da cidadania. Em um passado não tão distante, o local abrigava uma enfermaria onde pessoas em sofrimento psíquico eram mantidas isoladas, sem acesso à individualidade e à dignidade. Com a transformação promovida pela reforma psiquiátrica, o Travessia se consolidou como espaço aberto à comunidade, promovendo a convivência, a expressão e o cuidado em liberdade.

A diretora do Instituto Municipal Nise da Silveira, Erika Pontes, destacou que o Travessia representa um avanço significativo na substituição de práticas manicomiais, ao adotar a arte como eixo central de suas ações. “Celebrar esses 10 anos é também um chamado para que a sociedade ocupe e valorize esse espaço, reconhecendo o seu papel na luta antimanicomial e na defesa do SUS”, afirmou.

O evento reuniu usuários da Rede de Atenção Psicossocial, profissionais de saúde, familiares e visitantes, todos envolvidos em atividades como modelagem em argila, desenho, colagem e intervenção poética. Entre os destaques da programação, estiveram a discotecagem “iPod da Vovó”, apresentações de literatura de cordel, microfone aberto para poesias e o lançamento do livro “Poesias Agudas”, de Altair Pinheiro, que ampliou o diálogo entre literatura e saúde mental.

As atrações culturais seguiram com a apresentação do Ballet Oṣun, que trouxe à cena referências ancestrais, e o monólogo “Um Homem Sem Importância”, que emocionou o público ao abordar questões de invisibilidade e existência. Ao final do dia, uma confraternização marcou o encerramento das atividades, fortalecendo os laços entre os participantes.

Para Miriam Galvão, frequentadora assídua do Travessia, o espaço representa um marco de autonomia e descoberta. “Aqui, cada um pode escolher seu caminho, seus projetos. O Travessia foi fundamental para que eu me reconhecesse e conquistasse minha independência”, relatou.

O Espaço Travessia ocupa um local histórico para a saúde mental carioca e, desde sua criação, vem transformando antigos corredores de um hospital psiquiátrico em ambientes de cor, criatividade e acolhimento. A agenda inclui exposições, oficinas abertas ao público, ateliês e apresentações culturais, principalmente voltadas para artistas dos subúrbios da cidade.

Funcionando na Casa do Sol, dentro do Instituto Nise da Silveira, na Rua Ramiro Magalhães, 521, Engenho de Dentro, o Travessia recebe visitantes de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, com entrada gratuita. O espaço reafirma cotidianamente o compromisso com a inclusão, a convivência e a luta por uma sociedade sem manicômios, tornando-se referência em saúde mental e cultura no Rio de Janeiro.

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