Gastronomia

Top 5 destinos globais para experiências gastronômicas em restaurantes três estrelas Michelin

O Brasil conquista espaço inédito na elite mundial da gastronomia

Nesta semana, o Brasil atingiu um marco histórico ao entrar para o grupo restrito de nações que ostentam restaurantes com a mais alta distinção do Guia Michelin: as três estrelas. O Tuju e o Evvai, ambos localizados em São Paulo, receberam o reconhecimento máximo, tornando o país o único da América Latina a figurar nesta seleta lista — um avanço que reposiciona o Brasil no mapa internacional da alta gastronomia.

Para dimensionar a importância dessa premiação, é fundamental entender o papel do Guia Michelin. Originalmente lançado por uma fabricante francesa de pneus no início do século passado para estimular as viagens de automóvel, o guia evoluiu para se tornar uma das maiores autoridades no universo gastronômico. Atualmente, inspetores anônimos percorrem o mundo avaliando casas com base em critérios como técnica, consistência e identidade culinária. Receber três estrelas significa, segundo a publicação, ser um destino que “vale a viagem”.

Esse sistema consagrou cidades como Tóquio, que lidera o ranking global ao concentrar doze restaurantes com três estrelas e ostentar o maior número total de estrelas Michelin. O fenômeno evidencia não só o domínio técnico da culinária japonesa, mas também o respeito ao ingrediente, o compromisso com a sazonalidade e a diversidade de cozinhas de excelência — das tradicionais às contemporâneas, passando por casas francesas e italianas de alto padrão.

Apesar da supremacia de Tóquio entre metrópoles, é a França que detém o maior número de restaurantes três estrelas no mundo: são 34 estabelecimentos, frente a 20 no Japão. O país natal do guia mantém a gastronomia como patrimônio cultural e Paris, em especial, concentra alguns dos endereços mais prestigiados, como Le Cinq, Plénitude e Epicure, todos situados em hotéis-palácio, onde tradição e inovação convivem em harmonia.

Outros polos gastronômicos de prestígio também se destacam fora da Europa continental. Nos Estados Unidos, Nova York abriga cinco restaurantes com a classificação máxima do Michelin, evidenciando uma cena que mistura rigor técnico com criatividade e multiculturalismo. Entre eles estão referências como o Per Se, Le Bernardin e Eleven Madison Park, exemplos da capacidade da cidade de transformar diversidade em alta gastronomia. Londres, com três casas no topo do guia — Restaurant Gordon Ramsay, Alain Ducasse at The Dorchester e Core by Clare Smyth —, é outro exemplo de como a tradição pode ser reinterpretada com originalidade.

Na Espanha, cerca de dezesseis estabelecimentos ostentam as três estrelas, consolidando o país como referência em inovação e autoria culinária. O DiverXO, comandado por Dabiz Muñoz em Madri, se destaca por romper padrões e oferecer experiências sensoriais e narrativas além do prato.

A expansão do Guia Michelin pela Ásia também revela novos protagonistas. A Tailândia, por exemplo, já conta com dois restaurantes três estrelas em Bangkok. O Sorn, especializado na culinária do sul tailandês, foi pioneiro, enquanto o Sühring, dos irmãos Thomas e Mathias, recém-chegou ao topo ao trazer uma sofisticada cozinha alemã para a capital tailandesa.

O impacto do “efeito Michelin” vai além do prestígio. Pesquisas do setor indicam que a conquista de estrelas eleva a procura por reservas, estimula o turismo e movimenta a economia local, frequentemente gerando meses de lista de espera. A influência do guia se consolidou ainda mais no comportamento dos viajantes, que passaram a consultá-lo não só para escolher restaurantes estrelados, mas também para planejar rotas culinárias completas, considerando recomendações e categorias adicionais como o Bib Gourmand.

No contexto brasileiro, a chegada das três estrelas ao Tuju e ao Evvai representa uma virada. O país ganha força como destino gastronômico capaz de atrair visitantes do mundo todo, valorizando uma culinária que alia técnica apurada, identidade própria e conexão com o território.

Esta conquista projeta o Brasil a um novo patamar e indica que, mais do que nunca, a gastronomia nacional está pronta para dialogar com as principais tendências e exigências do cenário internacional.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Comercial e assessores de imprensa