Gastronomia

Encontro Reservado reúne líderes em jantar cercado por arte em Laranjeiras

No topo de um edifício construído em 1941, na tradicional Rua das Laranjeiras, encontra-se um espaço extraordinário que foge a qualquer definição convencional de restaurante. A cobertura, batizada de Telhado, funciona como ateliê, galeria e, uma vez por semana, transforma-se em palco de um jantar exclusivo comandado por Ana Paula e Victor. Ali, obras de arte, fotografias e instalações convivem com uma cozinha de ponta, projetada pelo chef Rafa Costa e Silva — referência do Lasai — equipada com aparelhos alemães da Miele e uma churrasqueira compacta, herança de seu projeto anterior. O ambiente amplo favorece tanto encontros íntimos quanto celebrações em grupo, enquanto, ao redor da majestosa mesa criada por Jorge Zalszupin, casais desfrutam de momentos de privacidade diante do cenário artístico.

As experiências gastronômicas oferecidas ali, limitadas a quatro noites por mês, seguem um menu de seis etapas (R$ 600), sempre renovado conforme a produção sazonal e o que há de mais fresco nas feiras e mercados. O cardápio é apresentado de forma minimalista, destacando três ingredientes principais por prato, com vegetais ocupando papel de destaque mesmo quando proteínas marinhas ou terrestres entram em cena. A maturidade técnica do casal de cozinheiros se revela nos molhos e caldos, elaborados ao ponto de atingirem complexidade e equilíbrio marcantes.

A carta de vinhos, sob curadoria de Maíra Freire, privilegia rótulos orgânicos, biodinâmicos e de mínima intervenção. O serviço, liderado pela sommelière Marcela de Genaro, é personalizado: taças são escolhidas conforme o momento e o menu pode ser harmonizado a pedido.

Entre os destaques do último jantar, o percurso começou com lâminas de olho-de-cão cru, fresquíssimas e cortadas com precisão, servidas sobre um cremoso molho de abóbora e caldo do próprio peixe, equilibrados por gastrique de caju e folhas inteiras de coentro. Na sequência, um pudim salgado de castanha de caju, inspirado no chawanmushi japonês, trouxe cubos de tupinambo e lardo de porco imersos em dashi, compondo uma explosão de sabores.

Em outro momento, a batata-doce laranja, assada e finalizada na brasa, converte-se em creme delicado sobre um molho verde de couve, cebola confitada e alcaparras, com lâminas crocantes de rabanete. Na etapa seguinte, cavaquinha grelhada no espeto chega levemente tostada, acompanhada de chuchu assado, pesto de salsa e caldo aerado de bouillabaisse, em um conjunto harmonioso e sofisticado.

O capítulo dos pratos salgados se encerrou com copa lombo de porco preto, exibindo marmoreio exemplar, servida ao lado de purê de pastinaca — raiz de sabor adocicado e aromas que remetem a especiarias — e fios de cenoura em vinagrete, em diálogo perfeito de texturas e sabores.

Para a sobremesa, a cozinha apresentou um creme de abacate entre telhas de biscoito e manteiga queimada, finalizado com granita de limão-taiti sem açúcar e pó de capim-limão, trazendo acidez e frescor para fechar a noite.

Antes da doçura final, é possível pedir uma seleção de três queijos brasileiros, acompanhados de mel de abelha nativa manduri (R$ 70): Catuá, de Minas Gerais; Reserva da Mantiqueira, também mineiro; e Morro Azul, de Santa Catarina. Para harmonizar, a sommelière sugeriu quatro taças: Jerez Fino La Landa, o nacional Vivente Chardonnay, Albamar O Sebal 2023 (alvarinho espanhol) e o rosé francês Amiel Sous Le Manteau L’Ovni, um blend de Languedoc.

O Telhado, além de cenário para experiências gastronômicas únicas, é espaço de residência artística e ponto de encontro de criativos de todo o mundo, tornando cada jantar uma celebração da boa mesa, da arte e do convívio.

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