Pesquisa evidencia lacuna sobre desaparecimentos forçados no Brasil
Desaparecimentos forçados não estão nos marcos jurídicos nacionais, conclui estudo da UFF
Um estudo conduzido pelo Observatório Fluminense de Políticas Sociais “Carlos Walter Porto-Gonçalves” (OFPS) concluiu que o desaparecimento forçado ainda não possui tipificação específica no sistema jurídico brasileiro. O Observatório, lançado em 13 de outubro de 2025 na Faculdade de Educação da UFF, integra o Núcleo de Educação e Cidadania (NUEC-UFF) e é coordenado pelo professor Waldeck Carneiro.
Atuação estruturada em múltiplos eixos
Com oito Equipes de Análise de Políticas (EAPs), o OFPS já iniciou a divulgação de resultados considerados promissores. O monitoramento abrange políticas educacionais — incluindo alfabetização, alimentação escolar, educação integral, formação docente e educação inclusiva —, além de temas culturais e de direitos humanos, como a proteção de ativistas e a agenda regulatória da ANCINE.

Violência institucional contra defensores de direitos humanos
No âmbito dos direitos humanos, o Observatório acompanha casos de violência institucional contra defensoras e defensores, destacando situações relacionadas a desaparecimentos forçados. A análise preliminar dos marcos normativos e institucionais identificou a ausência de previsão legal específica para esse tipo de crime.
Limitações geradas pela ausência normativa
Segundo o coordenador Waldeck Carneiro, essa lacuna dificulta a consolidação de dados confiáveis e a criação de indicadores capazes de subsidiar políticas de prevenção e responsabilização estatal. A falta de tipificação também contribui para a invisibilidade do problema e enfraquece os mecanismos institucionais de reconhecimento das violações.
Recomendação para fortalecimento jurídico
Fabiana Rodrigues, professora da UFRRJ e responsável pelo monitoramento desse eixo, destaca que os resultados iniciais apontam para a urgência de incorporar o desaparecimento forçado aos marcos jurídicos nacionais. A medida é considerada essencial para aprimorar o monitoramento, qualificar as respostas do poder público e estruturar políticas eficazes no enfrentamento dessa modalidade de violência institucional.

