Cultura

Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta destaques na programação da ArtRio

A exposição tem como inspiração o mito de Orfeu, personagem lendário cuja música possuía o poder de emocionar desde seres vivos até elementos inanimados, como pedras e árvores, dissolvendo as fronteiras entre diferentes formas de existência. Nessa mostra, a potência do som é destacada não pelo relato ou pelo conteúdo simbólico, mas por sua ação direta sobre corpos e materiais, guiando a proposta curatorial.

Dentro desse contexto, a abstração aparece como eixo central, sendo explorada por meio de ritmo, densidade, repetição e pela própria fisicalidade dos materiais. O artista Bruno Dunley investiga a instabilidade das formas utilizando contrastes cromáticos e composições marcadas por incertezas. Laís Amaral, por sua vez, desenvolve trabalhos que revelam o acúmulo e o apagamento, permitindo que as superfícies de suas obras registrem marcas do tempo, da pressão e de resíduos materiais.

Marina Rheingantz propõe campos pictóricos que transitam entre paisagem, evocação de memórias e abstração, enquanto Richard Aldrich enxerga a pintura como um território de passagem, onde marcas, referências e decisões materiais permanecem em constante transformação. Ao longo da exposição, a abstração é tratada não como simples redução da imagem, mas como um modo de abordagem que dispensa a necessidade de representação figurativa.

Os elementos visuais presentes — linhas, manchas, planos e sobreposições — se impõem como realidades físicas, criando situações concretas que escapam de uma leitura imediata. O significado das obras se constrói a partir da observação atenta e da experiência prolongada, mais do que por explicações racionais. As pinturas se comportam menos como imagens descritivas e mais como acontecimentos inseridos no tempo e no espaço.

Algumas criações, inclusive, funcionam como sistemas autônomos, nos quais pigmentos se espalham, se acumulam ou resistem ao controle do artista; superfícies alternam entre áreas de atração e de recusa, enquanto zonas de intensa atividade visual convivem com outras de maior quietude. Essas dinâmicas determinam a forma como o público se relaciona com os trabalhos, sugerindo que ações passadas continuam a se manifestar nos próprios objetos.

A coletiva “Até um carvalho enlouqueceu” acontece na Fortes D’Aloia & Gabriel, localizada na Rua James Holland, 71, Barra Funda. A abertura está marcada para o dia 7 de fevereiro de 2026, das 15h às 19h. A visitação segue de 9 de fevereiro a 28 de março de 2026, de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.

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