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AMAGRAJA promove debate sobre os desafios da coleta seletiva no Grajaú

A precariedade do serviço no bairro será discutida com a presença de Edison Sanromã, coordenador da coleta seletiva da Comlurb

Apesar de estar em vigor há mais de duas décadas, a coleta seletiva ainda é uma realidade distante para muitos cariocas — especialmente para os moradores do Grajaú, na Zona Norte do Rio. Segundo pesquisa informal conduzida pela AMAGRAJA (Associação de Moradores e Amigos do Grajaú), a ausência de coleta seletiva figura entre os seis principais problemas locais, ao lado de questões como segurança, conservação urbana e transporte.

Com o objetivo de ampliar o diálogo e buscar soluções práticas, a AMAGRAJA promove no próximo sábado, 19 de julho, um encontro para discutir o tema. O evento acontecerá às 9h, no Teatro Dercy Gonçalves, no Grajaú Country Club (Rua Professor Valadares, 262), e contará com a presença de Edison Sanromã, coordenador da coleta seletiva da Comlurb.

Enquanto a Comlurb afirma coletar mensalmente 5,7 toneladas de recicláveis — o que corresponderia a 11% do total potencialmente reciclável da cidade — dados do G1 traçam um panorama muito mais modesto: apenas 0,5% do lixo reciclável produzido no Rio de Janeiro estaria, de fato, sendo reaproveitado. A discrepância é tamanha que nem mesmo o prefeito Eduardo Paes parece convencido. “A sensação que a gente tem é de muito mais baixo do que isso. A gente vai ter que olhar para a nossa realidade e tentar avançar dentro do possível”, declarou em entrevista ao RJTV.

No Grajaú, esse abismo entre expectativa e prática é ainda mais visível. A coleta seletiva praticamente inexiste, e muitos moradores acreditam que o pouco material separado acaba sendo descartado em aterros sanitários. A baixa circulação de caminhões da Comlurb (apenas 16 em toda a cidade, com cerca de 30% de capacidade ociosa, segundo o G1) também compromete a efetividade do sistema. Já as cooperativas, por sua vez, afirmam que a quantidade de recicláveis que recebem é insuficiente até para garantir a renda dos catadores.

“A gente precisa de mais caminhões, mais frequência, mais material chegando até nós”, afirma Ana Carla Nistaldo, da cooperativa Coopideal.

Hoje, a Comlurb atua com coleta seletiva em 117 bairros e encaminha o material para 29 cooperativas, beneficiando diretamente cerca de 450 famílias. Ainda assim, a própria companhia reconhece que o engajamento da população é essencial para que esse modelo funcione — algo que a AMAGRAJA está tentando promover ativamente no Grajaú.

O debate de sábado será mais que uma troca de informações: será um chamado à ação comunitária por uma cidade mais limpa, justa e sustentável.

Fonte: Edison Corrêa

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