Cultura

ArtRio leva programação cultural ao Paço Imperial

A exposição individual “Toró”, de Niura Bellavinha, ocupa o Paço Imperial com uma proposta que vai além do convencional. O termo “toró”, de raízes indígenas, remete à força de uma água que irrompe, transborda e provoca mudanças. É justamente essa ideia de energia em fluxo e transformação que orienta o trabalho da artista, sob curadoria de Marcus Lontra, Rafael Peixoto e Viviane Matesco.

Dialogando diretamente com a história e a arquitetura do prédio, a mostra oferece ao público uma experiência sensorial intensa. Pinturas, esculturas e instalações se apresentam como territórios de excesso e potência, em que o simbólico e o material se misturam. Logo na entrada, uma intervenção chama atenção: telas brancas instaladas nas janelas da fachada liberam tinta vermelha, ativando o Paço Imperial como um corpo vivo, aberto a novas interpretações.

Essa ação estabelece uma ponte entre as criações de Bellavinha e o passado do edifício, palco de episódios decisivos para o Brasil do período colonial, como o julgamento de Tiradentes no século XVIII. A proposta foge de abordagens ilustrativas e didáticas, preferindo acionar o imaginário do visitante por meio de recursos poéticos que entrelaçam história e arte contemporânea. “Batizei esta intervenção de Chorare Pitangas, expressão tupi-guarani para ‘chorar lágrimas de sangue’”, explica a artista.

Segundo os curadores, a exposição não busca retratar o toró como imagem, mas sim como estado de pressão e intensidade, algo que atravessa toda a produção de Bellavinha e ganha ainda mais potência no contexto simbólico do Paço Imperial.

“Toró” será inaugurada em 28 de março de 2026, com visitação gratuita até 7 de junho, sempre de terça a domingo e feriados, das 12h às 18h, na Praça XV de Novembro, 48, no Centro do Rio de Janeiro.

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