Rio cria área de proteção cultural dedicada à Bossa Nova
Prefeitura do Rio cria APAC Bossa Nova para proteger identidade cultural de Ipanema e Leblon
A cidade do Rio de Janeiro passa a contar com uma nova Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) dedicada a manter as características históricas e culturais dos bairros de Ipanema e Leblon. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere nesta quinta-feira (2), com a oficialização da APAC Bossa Nova, iniciativa que busca preservar a paisagem, o patrimônio arquitetônico e a memória afetiva de uma das regiões mais emblemáticas da capital fluminense.
Segundo Cavaliere, a elaboração do decreto é resultado de um trabalho conjunto entre o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e as secretarias municipais de Urbanismo e Cultura, que realizaram um levantamento detalhado ao longo dos últimos 18 meses. “Estamos protegendo uma área de enorme relevância para a história do Rio e do Brasil, que atrai turistas do mundo inteiro e concentra parte fundamental do nosso legado cultural”, afirmou o prefeito.
Entre as principais determinações da nova APAC estão a limitação da altura de novas edificações em pontos específicos, restringindo o gabarito máximo a 20 metros em cerca de 750 prédios. A medida busca evitar a descaracterização da paisagem, garantindo a circulação de ar, incidência de luz solar e preservação da vista para a orla. Também ficam proibidas a construção de novas empenas cegas—paredes sem aberturas—e a reconstrução de prédios demolidos fora dos padrões estabelecidos.
O decreto ainda prevê o tombamento definitivo de 17 imóveis históricos em Ipanema, anteriormente sob proteção provisória, e amplia a proteção ao calçadão em pedras portuguesas da orla de Ipanema e Leblon, projetado em 1965 por Renato Primavera Marinho. A instalação de painéis publicitários que ocultem fachadas de bens tombados passa a ser vedada.
O Bar Garota de Ipanema, na Rua Vinícius de Moraes, local onde Tom Jobim e Vinícius de Moraes se encontraram para compor o clássico que dá nome à APAC, foi reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da cidade. Para qualquer intervenção em imóveis tombados, será obrigatória a aprovação prévia do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural e a apresentação de estudo de sombra visando preservar as condições ambientais.
De acordo com Lucas Padilha, secretário municipal de Cultura, a criação da APAC Bossa Nova representa a valorização da relação entre urbanismo e legado cultural. “É impossível contar a história desses bairros sem mencionar os movimentos culturais que ali surgiram, especialmente a Bossa Nova, símbolo internacional do Rio”, explicou.
Já o secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Gustavo Guerrante, destacou que o objetivo central é impedir grandes alterações morfológicas e assegurar que o desenvolvimento urbano respeite o perfil original dos bairros. A presidente do IRPH, Laura Di Blasi, esteve presente na apresentação do projeto.
As APACs têm como missão proteger não apenas edificações isoladas, mas todo o conjunto urbano e paisagístico que contribui para a identidade de uma região. Criadas a partir do projeto Corredor Cultural, em 1979, essas áreas hoje somam 33 unidades no município, com a mais recente tendo sido instituída no Grajaú, em 2014. Qualquer intervenção nos imóveis integrantes dessas áreas especiais depende de autorização do IRPH, órgão responsável pela tutela do patrimônio municipal.
Com a nova regulamentação, a Prefeitura do Rio reforça o compromisso com a preservação dos bairros de Ipanema e Leblon, garantindo que o desenvolvimento urbano caminhe lado a lado com a valorização da memória e da cultura cariocas.

