Restaurantes cariocas inovam nos vinhos e investem em novas harmonizações
O cenário gastronômico do Rio de Janeiro passa por uma transformação notável quando o assunto é vinho. Restaurantes cariocas têm apostado em cartas cada vez mais exclusivas e personalizadas, trazendo rótulos raros, safras diferenciadas e seleções cuidadosamente elaboradas para conversar diretamente com as criações dos chefs. A busca vai além de novidades no cardápio: o público se mostra mais exigente, elevando o padrão de experiência em cada visita.
Hoje, frequentar um restaurante envolve muito mais do que apreciar um prato ou admirar a ambientação. O serviço de vinhos passou a ser parte fundamental da jornada gastronômica, integrando-se à narrativa e tornando-se elemento-chave na proposta de experiências sensoriais completas.
Entre os estabelecimentos que lideram essa tendência estão o Nimbus, em Botafogo, e os vizinhos Elena e Eleninha, no Jardim Botânico, além da renomada Casa 201, também no Jardim Botânico.
No Nimbus, a recente reformulação da carta de vinhos acompanha uma fase de crescimento do restaurante. Com a expansão das parcerias com importadoras internacionais, mais de 20 novos rótulos passaram a compor a seleção da casa, que também lançou um segundo menu degustação assinado pelo chef James McLennan. Entre as novidades estão o alemão Von Hövel Riesling Kabinett Gutswein 2003, o português Tarelo 2019–um blend de Arinto dos Açores com Verdelho–e o italiano Ca’Viola Barolo 2021. O menu degustação em dez etapas propõe harmonizações ousadas, como ostras acompanhadas de Manzanilla e cenoura servida com sidra inglesa, além de um coquetel de aipo como boas-vindas.
Já no Jardim Botânico, os restaurantes Elena e Eleninha apresentam cartas de vinhos desenvolvidas pelas sommelières Cassia Campos e Bravin, premiadas como Melhores Sommelières de São Paulo pelo Paladar 2025. Elas trouxeram seleções que refletem o espírito carioca, valorizando vinhos leves, refrescantes e ideais para o clima local. Brancos, rosés, espumantes e laranjas ganham protagonismo, dialogando com pratos leves e ingredientes frescos do menu. O Eleninha, por sua vez, inova ao servir todos os vinhos em taça, graças a um sistema moderno de conservação. Entre as escolhas do local está o Vinyes Ocults Malbec COT 2023, de Mendoza, com perfil frutado e frescor acentuado, servido levemente gelado para combinar com a atmosfera descontraída da casa.
A Casa 201, comandada pelo chef João Paulo Frankenfeld, também se destaca ao investir em rótulos de difícil acesso no mercado carioca. O restaurante, que opera com apenas 30 lugares e serve menu degustação em oito etapas, oferece opções como o espumante sul-africano Graham Beck Cap Classique Brut–presente em celebrações históricas, incluindo a posse de Nelson Mandela e eventos da Casa Branca–e o austríaco Rother Veltliner Heiderer Mayer 2023, produzido a partir de uma uva rara na Áustria. Para harmonizações específicas, a casa aposta ainda no grego Domaine Costa Lazaridi Malagousia 2024, escolhido para acompanhar seu clássico molho de espumante, e no Icewine Riesling Renano da vinícola brasileira Capoani, um dos lançamentos mais celebrados do mercado nacional, elaborado com técnica inspirada nos tradicionais Eisweins europeus.
Esses exemplos ilustram uma movimentação clara entre os restaurantes do Rio: o vinho deixou de ser mero coadjuvante e passou a ocupar papel central na construção de experiências gastronômicas sofisticadas, mostrando que a harmonização se tornou parte essencial da identidade contemporânea da cidade.
