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Novo Filme de Tubarões da Netflix: O Que É Fato ou Ficção em “Ataque Brutal”?

Nesta semana, a Netflix aposta em “Ataque Brutal” como seu principal lançamento. O filme, dirigido por Tommy Wirkola, conhecido por “Noite Infeliz”, e produzido por Adam McKay, de “Não Olhe Para Cima”, entrega uma mistura explosiva de catástrofe natural e horror animal: furacões, enchentes e tubarões famintos invadem uma cidade litorânea fictícia. Com uma proposta de entretenimento descompromissado e recheado de exageros, o longa chama a atenção principalmente por provocar a curiosidade sobre até onde sua trama poderia acontecer fora das telas.

A história se desenrola em Annieville, uma cidade imaginária localizada na Carolina do Sul, repentinamente devastada pelo furacão Henry, classificado como categoria cinco. A tempestade rompe barreiras de contenção e transforma ruas em rios, permitindo que tubarões sejam levados para dentro do perímetro urbano. O cenário, que deveria ser de resgate, rapidamente se transforma em um jogo de sobrevivência contra predadores mortais.

Mesmo com forte inspiração nos chamados “filmes B” — com doses de humor ácido e cenas de violência exagerada —, a premissa de tubarões circulando por bairros alagados não está totalmente distante da realidade. Em entrevista ao site Tudum, da própria Netflix, especialistas e membros da equipe de produção comentaram sobre as bases reais da história. Adam McKay, produtor do longa, lembrou casos reais na Austrália, onde inundações históricas ligadas às mudanças climáticas levaram à presença de tubarões-touro em águas turvas próximas à costa, resultando em ataques em sequência. Ele destaca que tubarões são atraídos por ambientes de baixa visibilidade, algo que pode ocorrer após grandes enchentes.

Embora raros, há registros de pequenos tubarões e outros animais marinhos encontrados em locais improváveis após ressacas e enchentes severas, mas o filme leva essa ideia ao extremo, apresentando predadores de grande porte caçando de forma ativa em áreas residenciais. O objetivo dos realizadores foi explorar o medo instintivo do desconhecido nas águas, potencializado pelo isolamento dos personagens em meio ao desastre. Entre eles, estão Dakota (Whitney Peak), que enfrenta agorafobia, e Lisa (Phoebe Dynevor), uma gestante presa em seu carro durante a tragédia.

Segundo Tommy Wirkola, “Ataque Brutal” foi concebido para proporcionar diversão e suspense, mas se ancora na realidade dos danos causados por furacões, como a destruição de infraestruturas obsoletas que já não acompanham as mudanças climáticas atuais. O cientista climático Chris Gloninger, que colaborou como consultor do filme, ressalta que muitas cidades foram projetadas para suportar condições climáticas estáveis, algo que já não condiz com o cenário atual de eventos extremos e recorrentes.

A presença dos tubarões funciona, ainda, como uma metáfora para a força incontrolável da natureza, que pode retomar territórios urbanos de maneira devastadora. Na vida real, tubarões tendem a evitar tempestades intensas, buscando águas profundas para se proteger. Portanto, o comportamento agressivo e coordenado retratado no filme faz parte da licença criativa para garantir o suspense.

Apesar de improvável que tubarões ataquem sistematicamente uma cidade submersa, a possibilidade de animais marinhos serem arrastados para áreas urbanas durante tempestades severas não é totalmente descartada. “Ataque Brutal” utiliza essa base plausível para criar um thriller angustiante, tratando também de temas como a vulnerabilidade das cidades diante das mudanças climáticas e a imprevisibilidade do oceano.

Ao final, o filme entrega exatamente o que promete: um espetáculo de ação e horror para quem busca diversão sem grandes pretensões, aproveitando o caos de um desastre natural transformado em um palco sangrento de sobrevivência.

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