ArtRio movimenta agenda cultural no Museu Histórico da Cidade

Em um cenário contemporâneo, onde se valoriza a autonomia individual e as dinâmicas coletivas perdem força, a produção artística de Raquel Saliba propõe um olhar atento para aquilo que ainda fundamenta nossa existência. Suas esculturas evitam o enaltecimento do sujeito isolado e, ao contrário, ressaltam a experiência compartilhada do viver. Trazendo à tona o termo “Bashar” — que remete à ideia de humanidade —, a artista apresenta composições que reúnem corpos moldados em barro, impregnados de memórias, diferenças e convivência ao longo do tempo. Entre os polos de nascimento e desgaste, permanência e mudança, as obras expostas convidam à reflexão sobre como a essência humana se constrói nas relações e nos vestígios sensíveis que atravessam gerações.
Raquel Saliba, natural de Itaúna, Minas Gerais, formou-se em Psicologia, mas há uma década e meia dedica-se exclusivamente à arte. Seu trabalho é impulsionado por uma busca constante por técnicas ancestrais e processos artesanais, como a queima japonesa Anagama e o método Obvara, originário do Leste Europeu do século XII, caracterizado pela retirada da peça do forno ainda incandescente. Saliba também explora fornos híbridos, que unem gás e lenha, além de experimentar a ação do mar sobre suas esculturas — um processo de oxidação que confere às superfícies texturas que transitam entre o brilho e o aspecto rústico.
As figuras criadas pela artista, seres de barro ou argila sem definição de gênero e que podem chegar a dois metros de altura, habitam um universo particular e instigante. A mostra “Bashar: nós humanos”, de Raquel Saliba, será inaugurada no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, Rio de Janeiro, no dia 1º de março, das 11h às 15h. O público poderá visitar a exposição entre 3 de março e 3 de maio de 2026, de terça a domingo, das 9h às 16h. A entrada é gratuita.
