MASP recebe destaque na programação cultural da ArtRio

Uma ampla retrospectiva no MASP apresenta a trajetória e a produção de Abel Rodríguez (Cahuinarí, Colômbia, 1941–2025), artista indígena cuja obra se destaca pela forma singular como articula e transmite os saberes tradicionais sobre a biodiversidade da Amazônia colombiana. Nascido em uma comunidade indígena, Rodríguez iniciou sua produção artística nos anos 1990, estimulado por pesquisadores da fundação Tropenbos, que o incentivaram a registrar, por meio de desenhos detalhados, o conhecimento que detinha sobre as plantas, seus ciclos e a dinâmica das estações na floresta.
Ao longo das décadas, seus desenhos, repletos de minúcia e sensibilidade, conquistaram reconhecimento tanto no cenário artístico colombiano quanto internacional. Sua abordagem, que une arte e saber ancestral, lhe rendeu o Prêmio Prince Claus, além de participações em eventos de destaque como as bienais de São Paulo, Veneza, Toronto, Gwangju, Sydney e na documenta de Kassel, consolidando sua presença no circuito global de arte contemporânea.
Sob a curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Leandro Muniz, curador assistente, a exposição propõe uma análise aprofundada do legado de Rodríguez. Diferenciando-se do desenho botânico convencional, suas obras apresentam uma compreensão integrada do ecossistema amazônico, revelando relações entre fauna, flora e espiritualidade. Enquanto a botânica tradicional costuma fragmentar e isolar elementos naturais, Rodríguez enfatiza as conexões e a interdependência entre todos os seres da floresta. “Meu conhecimento não é biológico. Ele é materialmente, espiritualmente e sentimentalmente conectado à floresta, à energia dela”, declarou o artista em 2024.
A mostra está organizada em quatro eixos temáticos: Árvores Mitológicas, Desenhos Botânicos, Ciclos e Natureza Integrada. Cada núcleo evidencia um aspecto do olhar original de Rodríguez e seu modo de representar a floresta não apenas como um conjunto de espécies, mas como um organismo vivo, pleno de sentido e sabedoria ancestral.
A exposição “Abel Rodríguez — Mogaje Guihu: A árvore da vida e da abundância” poderá ser visitada no MASP, na Avenida Paulista, 1578, Bela Vista, entre 10 de outubro de 2025 e 5 de abril de 2026. As visitas às terças-feiras são gratuitas, das 10h às 20h (com entrada permitida até as 19h); de quarta a domingo, o funcionamento é das 10h às 18h (entrada até as 17h). O museu não abre às segundas-feiras. É necessário realizar agendamento prévio pelo site masp.org.br/ingressos. Os ingressos custam R$ 75 (inteira) e R$ 37 (meia-entrada).
