Filme da Baixada resgata rios esquecidos e exalta protagonismo local

Realizar cinema na Baixada Fluminense é, antes de tudo, um ato político, criativo e coletivo. Essa é a essência de Memória das Águas, curta-metragem escrito e dirigido por Catu Rizo, cineasta natural de Nilópolis. O filme estreia em breve e traz, em sua essência, o olhar e a força de profissionais da própria região, tanto na atuação quanto nos bastidores.
Com 23 minutos de duração, o curta foi filmado em Nilópolis, Nova Iguaçu e Belford Roxo, e percorre os rios Pavuna e Sarapuí. A narrativa poética costura memória, ecologia e território ao acompanhar Dalva, antropóloga vivida por Simone Cerqueira, atriz de Nova Iguaçu. Em sua busca por vestígios das águas que outrora corriam livres, Dalva mergulha em arquivos, mapas e depoimentos que revelam histórias silenciadas da Baixada.

O elenco ainda conta com a veterana Mariah da Penha, no papel de Dona Lourdes, Wilson Rabelo, como Seu João, e Lorre Motta, que interpreta o cineclubista Lucca.
A força do filme também está por trás das câmeras. A direção de fotografia é de Jon Thomaz (São João de Meriti), o som direto de Anne Santos (Duque de Caxias e integrante do cineclube Mate com Angu), e a produção de Anele Rodrigues (São João de Meriti). A equipe técnica é, em sua maioria, formada por artistas e profissionais da Baixada Fluminense, em uma construção coletiva de um cinema sensível ao seu território.
“Este não é apenas um filme que se passa na Baixada. É um filme da Baixada — feito por quem conhece o cheiro do rio, o som do trem e o calor da terra. Isso muda tudo”, afirma a diretora Catu Rizo.
Memória das Águas foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, via edital da prefeitura de Nilópolis. O projeto contou com o apoio do coletivo BaixadaCine e do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular), que disponibilizou imagens de arquivo da histórica TV Maxambomba — maior experiência de televisão comunitária da América Latina.

Sobre a diretora
Catu Rizo é fundadora do selo @CatuFilmes e natural de Nilópolis. Foi professora temporária na Faculdade de Artes do Paraná (FAP/UNESPAR) e desenvolve projetos audiovisuais autorais que dialogam com sonho, memória e o cotidiano da Baixada Fluminense.
O filme ainda não está disponível para exibição pública, mas os bastidores, datas de estreia em festivais e o lançamento da versão em áudio do roteiro podem ser acompanhados no Instagram da diretora: @CatuFilmes.
Fonte: Lívia Dias



