Filme da Netflix sobre falsa gravidez alcança 15 milhões de espectadores
Nos últimos dias, o documentário “Instinto Materno” conquistou grande visibilidade na Netflix, atingindo a marca de 15 milhões de visualizações em apenas três dias. Entre os títulos em língua inglesa mais assistidos globalmente na plataforma durante a última semana, a produção ficou atrás apenas da comédia romântica “Paixão de Escritório”, que liderou o ranking com impressionantes 24,6 milhões de visualizações no período entre 8 e 14 de junho. Os dados foram divulgados pela própria Netflix nesta terça-feira (16).
No cenário brasileiro, “Instinto Materno” vem ganhando espaço e já figura entre os cinco filmes mais assistidos no país. Apesar de documentários nem sempre atraírem o grande público, a trama impactante do filme tem despertado curiosidade e repercutido nas redes sociais. Para quem prefere evitar spoilers, vale seguir apenas as informações oficiais de divulgação: o longa traz a trajetória de Taylor Parker, uma jovem que se apresenta como herdeira de uma fortuna do setor petrolífero e se envolve emocionalmente com Wade Griffin, caçador de porcos em uma pequena cidade do leste do Texas. O relacionamento evolui rapidamente, e, em pouco tempo, Taylor anuncia uma gravidez e compartilha sua felicidade nas redes sociais. À medida que o suposto parto se aproxima, familiares e amigos passam a questionar a veracidade da gestação, até que uma chocante reviravolta ocorre, desencadeando consequências inimagináveis.
Quem era Taylor Parker?
Ao chegar à comunidade rural do leste texano, Taylor Parker logo conquistou simpatia dos novos vizinhos, alegando ter origens abastadas graças à fortuna da família, supostamente derivada de campos petrolíferos. Segundo seu relato, ela aguardava uma grande herança, mas enfrentava uma disputa familiar que dificultava o acesso ao dinheiro. Pessoas próximas descrevem Taylor como carismática e determinada, características que chamaram a atenção de Wade Griffin, com quem começou a se relacionar após um encontro em um rodeio local, no meio de 2019. Apenas três meses depois, o casal já dividia o mesmo teto.
Taylor, mãe de dois filhos de relações anteriores, parecia empenhada em construir uma vida luxuosa com Wade. Os gastos extravagantes não demoraram a surgir: carros novos, gado, veículos de lazer, uma caminhonete de alto valor e até uma proposta milionária para aquisição de um rancho em outro estado. Wade se envolveu completamente nos planos da parceira, descrevendo-a como uma pessoa radiante.
A suposta gravidez e as primeiras desconfianças
Pouco após se instalarem juntos, Taylor anunciou estar grávida, munida de documentos médicos que confirmariam a gestação. Ela passou a compartilhar a novidade com amigos e familiares, mas, com o passar do tempo, surgiram dúvidas sobre a veracidade da gravidez. Stephanie Ott, amiga do casal, tentou checar a informação em clínicas e laboratórios, mas esbarrou na legislação de privacidade médica. Sempre que questionada, Taylor apresentava justificativas detalhadas.
Ex-amigas da jovem, como McKenzie Bright e Abby Bell, relataram no documentário que Taylor já havia inventado outros problemas de saúde anteriormente. Ela afirmava ter sido diagnosticada com doenças graves, como esclerose múltipla e câncer, além de alegar ter sofrido um derrame e possuir um tumor cerebral. O afastamento dessas amigas ocorreu após comportamento obsessivo de Taylor em relação à gravidez de uma delas, chegando a pedir acesso ao aplicativo de acompanhamento gestacional.
Taylor evitava mostrar o corpo, justificando que tinha vergonha das marcas causadas pela suposta gravidez. O que ninguém imaginava é que, anos antes, ela havia passado por uma histerectomia — cirurgia que remove o útero, tornando impossível uma gestação. Investigações posteriores revelaram pesquisas na internet sobre compra de barrigas de silicone, adoção de recém-nascidos e vídeos de cesarianas.
O crime que chocou os Estados Unidos
Em 9 de outubro de 2020, Taylor Parker acionou os serviços de emergência enquanto estava em uma rodovia próxima a De Kalb, Texas, dizendo ter acabado de dar à luz, mas que o bebê estava sem respirar. Foi encontrada pelos policiais tentando reanimar um recém-nascido e alegou estar indo ao encontro do marido em um hospital em Oklahoma. No hospital, médicos constataram que Taylor não havia passado por trabalho de parto.
Simultaneamente, a polícia foi chamada à residência de Reagan Simmons-Hancock, jovem grávida de 21 anos. No local, encontraram sinais de um crime brutal: Reagan havia sido assassinada com múltiplos golpes de faca, e o bebê havia sido retirado de seu ventre. A criança, posteriormente identificada como Braxlynn Sage Hancock, não resistiu após ser levada ao hospital.
Taylor Parker foi presa e indiciada por homicídio qualificado. Wade Griffin, seu companheiro, também foi interrogado pelas autoridades. Em 2025, a Justiça do Texas confirmou sua condenação e manteve a pena de morte. Hoje, Taylor é a mulher mais jovem no corredor da morte do estado, ainda aguardando julgamento de recursos pendentes.
