Indústria Criativa já responde por 8% do PIB e movimenta R$ 41 bilhões no Rio, aponta estudo
Indústria criativa movimenta R$ 41 bilhões no Rio e representa 8% do PIB municipal
Um levantamento inédito realizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com a Firjan, revela o peso da indústria criativa na economia da capital fluminense. Segundo o estudo, apresentado no evento Rio2C, as empresas desse setor movimentaram aproximadamente R$ 41 bilhões em 2025, o que equivale a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) carioca.
A pesquisa, fruto de colaboração entre as secretarias municipais de Cultura e de Desenvolvimento Econômico, além da Riotur, aponta que o Rio ocupa a segunda colocação entre as capitais brasileiras em número de empresas criativas, ficando atrás apenas de São Paulo. Em 2023, o município contabilizava 5.245 empresas desse segmento, responsáveis pela geração de quase 100 mil empregos formais. O total pago em salários no setor chegou a cerca de R$ 1,3 bilhão, representando 10,7% da massa salarial formal do município.
No contexto estadual, as empresas criativas instaladas na capital correspondiam a 62,5% do total desse segmento no Rio de Janeiro, e a 5% do país. Em relação ao emprego formal, o setor respondia por 74,8% dos postos criativos no estado e 7,9% em âmbito nacional.
Para o prefeito Eduardo Cavaliere, a criatividade é um elemento central na identidade do carioca e se consolidou como motor de desenvolvimento econômico. “O Rio de Janeiro transformou a economia criativa em um pilar estratégico, integrando cultura, tecnologia, inovação e empreendedorismo, o que amplia a atração de investimentos, talentos e grandes eventos para a cidade”, avaliou.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou a importância do setor para a projeção internacional do Rio. “Nossa capacidade criativa, cultural e patrimonial, aliada ao estilo de vida carioca, constrói um soft power reconhecido no Brasil e no exterior”, disse.
Entre as regiões administrativas do município, Centro, Barra da Tijuca, Zona Portuária, Botafogo e Jacarepaguá concentram o maior número de profissionais atuando em empresas criativas. Já Porto Maravilha, Ilha do Governador, Lagoa, Ramos e Barra da Tijuca se destacam pela especialização nesse segmento. Segundo Osmar Lima, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, a revitalização da região portuária e a consolidação do hub Porto Maravalley têm impulsionado a vocação inovadora e empreendedora local.
Os dados mostram ainda que, entre 2022 e 2023, o setor de Cultura liderou o crescimento da economia criativa carioca, com alta de 11,4%, seguido pelo segmento de Tecnologia, que avançou 7,5%. O estudo também identificou 97.996 microempreendedores individuais (MEIs) atuando na área criativa, quantidade que representa 5,7% do total nacional e mais da metade dos MEIs criativos do estado.
O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, enfatizou o papel estratégico da cultura na valorização da identidade local e na dinamização econômica. Ele citou iniciativas como o Reviver Cultural e a Semana de Artes do Rio como exemplos do compromisso da gestão municipal em ampliar o acesso à cultura e revitalizar o Centro da cidade.
Outro destaque do levantamento foi o aumento expressivo da arrecadação do ISS sobre as atividades criativas, que saltou de R$ 572 milhões em 2020 para quase R$ 1 bilhão em 2025 — crescimento de 74,3% no período.
Para Julia Zardo, consultora da Casa Firjan e uma das autoras do estudo, a interseção entre criatividade, desenvolvimento urbano e crescimento econômico é cada vez mais evidente no Rio. “A cidade apresenta densidade produtiva, diversidade cultural e projetos capazes de reorganizar fluxos, atrair investimentos e criar novos polos econômicos, como exemplifica a região do Porto Maravilha”, concluiu.
O relatório completo pode ser consultado no Observatório Econômico da Prefeitura do Rio.


