Gastronomia

Pratos com frutos do mar impulsionam nova tendência gastronômica no Rio

Nos últimos anos, a cena gastronômica do Rio de Janeiro tem sido marcada pela ascensão do omakase, experiência japonesa que coloca o cliente nas mãos do chef e transforma cada refeição em um verdadeiro espetáculo sensorial. Uma das grandes novidades desse universo é a netabako, uma elegante caixa de madeira que, logo no início do jantar, apresenta aos clientes uma seleção impecável de frutos do mar, como peixes frescos, ouriços, conchas e ovas, arranjados de forma a ressaltar cores e texturas.

No comando do balcão, os chefs – ou itamaes, como são chamados no Japão – assumem o papel de joalheiros culinários, lapidando cada ingrediente em criações únicas. O formato omakase, que significa “deixo nas suas mãos”, ganhou força na capital carioca, com restaurantes dedicados exclusivamente a esse tipo de menu, em que a confiança no talento do chef é essencial.

No Umai, restaurante liderado pelo chef executivo Menandro Rodrigues, a proposta é unir técnicas japonesas e ingredientes tipicamente brasileiros, como o pólen de abelha nativa e o melato de bracatinga, típico do Sul do país. A busca pela perfeição vai além do prato: o local investe em tecnologia de ponta, como um sistema de osmose reversa para preparar a água utilizada no arroz, reproduzindo as características da culinária japonesa.

O San Omakase é outro destaque na cidade, sob a batuta de André Kawai – reconhecido como embaixador do sushi no Brasil. Com trinta anos de experiência no Japão, Kawai transforma o jantar em uma verdadeira aula sobre cultura nipônica, recebendo apenas oito clientes por vez em um ambiente de madeira que já foi premiado com uma estrela Michelin. Dos 25 restaurantes brasileiros premiados pelo guia francês, doze são japoneses, sinalizando o prestígio dessa cozinha no país.

O movimento do omakase no Rio atrai casas consagradas, como Naga e Sushi Leblon, e impulsionou a reabertura do pioneiro Mitsubá no Horto. Estabelecimentos como a Casa Ueda, comandada por Eric Ueda e o experiente Eduardo Nakahara, mantêm a tradição ao não fixar duração ou preço para o menu, permitindo uma experiência personalizada que varia conforme a interação com os clientes.

A valorização de ingredientes nacionais é evidente: espécies como olhete, piraúna e olho de boi, pescadas na costa fluminense, ganham espaço e protagonismo, enquanto o salmão, frequentemente de criação, é deixado de lado nos menus mais sofisticados. Exceções são feitas para iguarias como o atum bluefin, importado do Mediterrâneo. O arroz, servido morno e cuidadosamente preparado, contrasta com o peixe gelado, e receitas clássicas como o tamagoyaki – omelete japonesa que envolve enguia laqueada – ou o kobujime, peixe curado em alga kombu, figuram entre os destaques do cardápio.

O wasabi fresco, trazido de Shizuoka, no Japão, e cortes especiais de wagyu também se fazem presentes, garantindo que cada etapa da refeição surpreenda o paladar dos comensais e proporcione uma autêntica viagem gastronômica à Terra do Sol Nascente.

Diversos endereços cariocas oferecem o omakase em diferentes formatos e faixas de preço. No Canoa, o balcão recebe o público em clima descontraído, enquanto o Mee aposta em ingredientes raros, como caviar beluga e caranguejo centolla. No Sushi Leblon, o menu kaiseki apresenta duas entradas, doze peças exclusivas e sobremesa. Já no Yusha, o chef Raul Ono serve especialidades como o hamachi, peixe japonês de textura amanteigada.

A chegada e expansão do omakase no Rio não apenas diversificam a oferta gastronômica, mas também elevam o padrão dos restaurantes japoneses, consolidando a cidade como um polo de alta gastronomia oriental no Brasil.

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