Padre Miguel leva resistência indígena ao Grupo Especial do Carnaval 2026
Unidos de Padre Miguel aposta em ancestralidade e protagonismo feminino para retornar ao Grupo Especial em 2026
A Unidos de Padre Miguel prepara uma apresentação marcante para o Carnaval 2026, com o objetivo declarado de garantir seu lugar entre as grandes do Grupo Especial. A escola da Zona Oeste levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”, que tem como foco a força das mulheres indígenas e a resistência dos povos originários do Brasil. O destaque da narrativa é Clara Camarão, guerreira potiguara que se tornou símbolo de bravura ao enfrentar os invasores holandeses no século XVII.
O enredo promete unir espiritualidade, história e cultura, trazendo à tona a importância da Jurema – tradição ancestral que pulsa no samba-enredo e promete emocionar o público. A comissão de frente e o abre-alas já chamam atenção pelo conceito ousado: o carro principal representará o Rio Potengi, tingido de vermelho, evocando o urucum e o sangue derramado em batalhas. No alto da alegoria, uma grande escultura da Mãe D’Água será acompanhada pela imagem do Boi Vermelho, símbolo da agremiação, retratado como um poderoso pajé. O conjunto reforça a identidade da escola e a conexão com a ancestralidade, em um espetáculo visual pensado para impactar desde os primeiros minutos do desfile.
O clima entre os integrantes da Unidos de Padre Miguel é de pura emoção e expectativa. Representantes da comunidade expressam o orgulho e a determinação de abrir o desfile, conscientes da responsabilidade de iniciar a noite de apresentações. Segundo Ana Cristina Fonseca, advogada e integrante da escola, a sensação é de pura adrenalina: “Abrir o desfile é contagiante, nossa flechada é para garantir o título e o retorno à elite do samba.” Para o psicólogo Celso da Silva, a participação representa “força, ancestralidade e certeza da vitória”, ressaltando o papel simbólico do Boi Vermelho. Elizabeth da Silva, autônoma, destaca o sentimento de pertencimento e esperança de ver a escola novamente na Especial, enquanto William Costa, militar, fala da importância de estar no abre-alas: “O Boi Vermelho está em nosso sangue, representa família e tradição”. Já Flávia Fernandes, gráfica, celebra o protagonismo feminino: “É gratificante para nós, mulheres, contar essa história e mostrar nossa força na avenida”.
A Unidos de Padre Miguel inicia sua passagem pela Sapucaí reafirmando seus laços com a ancestralidade e a espiritualidade, lançando sua “flechada” em busca do tão sonhado retorno ao Grupo Especial. A expectativa é de que o desfile de 2026 fique marcado não apenas pela beleza e originalidade, mas também pela potência de sua mensagem – uma verdadeira celebração da cultura indígena e da força da Zona Oeste carioca.


