Blocos de Saúde Mental Iniciam Desfiles no Rio a Partir de 6 de Fevereiro
O Carnaval do Rio de Janeiro segue se consolidando como uma festa de inclusão social e respeito à diversidade. Em 2026, os tradicionais blocos ligados à saúde mental já têm presença confirmada nas ruas da cidade, reunindo usuários da rede psicossocial, familiares, profissionais e membros da comunidade em geral. Esses desfiles, que misturam alegria e conscientização, levam para o público temas como cidadania, enfrentamento ao preconceito e os princípios da luta antimanicomial, inserindo a saúde mental no coração da maior manifestação popular do país.
Hugo Fagundes, superintendente de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, destaca a importância dessas iniciativas: “Os blocos reforçam o direito das pessoas em sofrimento psíquico à vida cultural da cidade, à expressão artística e à busca pela felicidade. São espaços fundamentais para promover cuidado em liberdade, pertencimento e cidadania”.
Além de animar o Carnaval, esses grupos funcionam durante todo o ano como espaços de convivência e acolhimento. Oficinas de música, confecção de fantasias, artesanato e percussão são oferecidas, fortalecendo laços, estimulando talentos e ampliando o diálogo sobre inclusão social, respeito e cuidado coletivo.
PROGRAMAÇÃO DOS BLOCOS DE SAÚDE MENTAL
A agenda começa no dia 6 de fevereiro com o bloco Zona Mental, que se concentra às 17h na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. O tema deste ano, “Meu nordeste, meu sertão: Do agreste à Zona Oeste, o batuque da emoção”, promove um encontro entre as raízes culturais nordestinas e as tradições populares da Zona Oeste carioca, marcada pela presença de migrantes e forte identidade comunitária.
No dia 8 de fevereiro, a partir das 15h, é a vez do Tá Pirando, Pirado, Pirou! tomar conta da Avenida Pasteur, na altura da Unirio, na Urca. Com o enredo “O cavalo azul do cuidado em liberdade e a chama acesa de Franco Basaglia”, o bloco propõe reflexões sobre a liberdade, o combate ao estigma e celebra a diversidade, unindo história, arte e memória nas ruas do Rio.
Já no dia 10 de fevereiro, o Império Colonial desfila pelas imediações da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, a partir das 14h30. O enredo deste ano, “Pelos 7 ares da imaginação”, presta tributo ao artista Arthur Bispo do Rosário, que também foi marinheiro e boxeador, ressaltando sua trajetória de vida e contribuição para a cultura.
Encerrando a programação, o Loucura Suburbana entra em cena no dia 12 de fevereiro, às 16h, com concentração no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro. Com 26 anos de história, o bloco apresenta um enredo dividido em três pilares — Baluartes, Território e Loucura — abordando ancestralidade, identidade e a ocupação simbólica dos espaços urbanos.
A expectativa é de que, mais uma vez, os blocos de saúde mental promovam não só a folia, mas também o debate sobre inclusão, cidadania e o direito de todos ao Carnaval.


