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Saúde Intestinal: de que forma o desequilíbrio da microbiota pode contribuir para a obesidade e outras desordens

Quando o funcionamento do intestino não é regular, com constipação (a popular “prisão de ventre”) ou diarreia, é preciso buscar a ajuda de um especialista para ajudar neste sentido, pois nenhuma destas condições é algo normal, quando de forma regular.

A saúde intestinal nunca esteve tão em alta como nos últimos anos, afinal, há uma ligação direta entre nossa mente e o intestino, conhecido como eixo intestino-cérebro. E uma das questões de que mais se fala a respeito da microbiota intestinal (antes conhecida como flora intestinal) é a disbiose, que é um desequilíbrio entre bactérias benéficas e prejudiciais ao bom funcionamento do intestino. E tal condição pode ser responsável por prejudicar a perda de peso e, consecutivamente, podendo contribuir para a obesidade e doenças associadas.

Para explicar de que forma é possível manter esse equilíbrio da microbiota intestinal, evitando assim doenças a exemplo da obesidade e outras correlacionadas, o endocrinologista Rander Alves, da clínica Les Peaux, O especialista ainda explica de que modo age esse eixo intestino-cérebro. Inclusive, o intestino é responsável pela produção de 95% da serotonina do corpo humano. Ou seja, é possível considerá-lo como uma peça fundamental para a regulação de nosso humor, felicidade e diversas outras sensações positivas.

Seguem abaixo perguntas/respostas com o médico.

1 – De que forma a disbiose intestinal (desequilíbrio entre as bactérias benéficas e prejudiciais ao nosso intestino) pode afetar o processo de emagrecimento, podendo contribuir para a obesidade e doenças associadas?

A disbiose danifica a barreira de proteção do intestino, deixando-o mais permeável, a ponto de facilitar a entrada de microrganismos indesejáveis e o desenvolvimento de toxinas metabólicas que geram processos inflamatórios.

Esses microrganismos emitem sinais ao cérebro, mais precisamente no hipotálamo, interferindo na produção de hormônios importantes diretamente envolvidos no controle do peso, do metabolismo, da fome e da saciedade (como leptina e grelina, por exemplo) e aumentam a resistência à insulina, o que culmina para um cenário propício para o ganho de peso, desenvolver diabetes, além de reduzir a capacidade de absorção alimentar, causando doenças por insuficiência de vitaminas e minerais.

2 – De que forma é possível manter um equilíbrio (eubiose) intestinal , por meio de suplementos e alimentação?

É possível manter um equilíbrio intestinal a partir de escolhas alimentares saudáveis com maior consumo de fibras e de alimentos naturais; Evitar a ingestão de álcool e consumo do tabaco, evitar os corantes e conservantes, carnes vermelhas e alimentos gordurosos.

É importante também evitar alimentos com carboidratos simples, como açúcar refinado e chocolates, assim como o consumo excessivo de alimentos com farinha branca (pães e bolos e massas). Estes tipos de alimentos causam o aumento da fermentação, da produção de gases no intestino e diarreia, prejudicando a flora intestinal e piorando a disbiose.

A suplementação de probióticos pode auxiliar no tratamento da disbiose desde que feito sob orientação médica ou do nutricionista. Esse tipo de suplemento contém a quantidade e os tipos adequados de boas bactérias que, além de auxiliarem a equilibrar a flora intestinal e absorção de nutrientes , também ajudam a minimizar sintomas decorrentes da disbiose.

3 – Explique um pouco melhor sobre como funciona essa ligação direta entre intestino cérebro, também conhecida como eixo intestino -cérebro, ressaltando sua importância, já que 95% da serotonina do corpo humano é produzida na região intestinal.

O termo “eixo intestino-cérebro” refere-se à comunicação bidirecional entre sistema nervoso central e o trato gastrointestinal. Ou seja, alterações psíquicas podem interferir na digestão, na absorção de nutrientes e no equilíbrio intestinal, assim como também ocorre em condições contrárias, onde a inflamação intestinal relaciona-se com alterações no humor e doenças psíquicas.

A disbiose provoca um aumento da permeabilidade da barreira intestinal, e com isso, microrganismos indesejados e seus produtos, como citocinas inflamatórias, translocam para o sistema nervoso entérico e central, aumentam a neuroinflamação, contribuindo para o processo de neurodegeneração, alteração na produção de neurotransmissores responsável pela sensação de bem-estar (como a Serotonina) e, consequentemente, desenvolvimento de doenças psíquicas.

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